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Tapiocas Gourmet conquistam o paladar dos cariocas

RIO — O sol à sombra de um bangalô, o mar com água morna, a tapioquinha de queijo coalho no café da manhã. O estilo de vida baiano que levou desde pequena em viagens pelo Nordeste com a família foi o que inspirou a carioca Marianna Ferolla, de 24 anos, a se juntar com o namorado, o engenheiro ambiental Diogo Zaverucha, de 29, para criar a Tapí — uma barraquinha em forma de food truck para vender tapioca gourmet no Rio. A estreia da dupla é neste fim de semana, num evento no condomínio Ilha Pura, na Barra. Semana que vem, o casal participa da Feira Planetária, festival gastronômico no Planetário.

 

— Já comi muita tapioca na vida. Mas nunca com recheios diferentes — comenta Marianna, formada em Administração, que, para começar, elaborou 30 sabores. — A tapioca é o crepe brasileiro, mas é pouco explorada no lado da alta gastronomia. A proposta da Tapí é unir o refinamento com a tradição, uma brincadeira entre o simples e o chique.

Para trazer um pouquinho de axé para o cardápio, Marianna e Diogo contaram com a ajuda da cozinheira baiana Maura Trindade e da chef pernambucana Cláudia Vieira. Os sabores bolados pelo casal — e preparados a várias mãos — vão de carne-seca com pimenta biquinho e purê de baroa, e brie com mel trufado e amêndoas torradas a brigadeiro com nozes (de R$ 10 a R$ 14). Os ingredientes vêm de um garimpo em mercadões, inclusive em barraquinhas da Feira de São Cristóvão e do Cadeg.

— Cada item vem de um lugar. O mel é de Itamonte (Minas Gerais), a manteiga é o meu pai quem faz... Alguns ingredientes compramos frescos nas feiras — detalha Marianna.

Na praça desde agosto, a designer Fernanda Queiroz, de 29, e a arquiteta Carolina Portal, de 30, também perambulam por eventos no Rio com uma barraquinha de tapiocas. A mania de consumir a especiaria no lugar do pão nas refeições, que pegou de jeito quem vive fazendo dieta sem glúten, ganha mais forças com as versões gourmets.

— A ideia inicial era pedalar pela cidade e vender sopa numa bicicleta. Mas o projeto foi evoluindo e, como nós duas amamos tapioca, acabamos tendo esse estalo — conta Fernanda.

As meninas são amigas do trabalho: se conheceram num escritório de arquitetura este ano. Foi lá que arrumaram pedaços de madeira para criar a estrutura onde funciona a Tipi’oka. Do lado de dentro da “barraca”, fica um suporte para um fogão de duas bocas; do lado de fora, tem espaço para colocar vasinhos de temperos, pimenteiras, um quadro-negro onde escrevem o menu (tem opções como tapioca de pizza, guacamole, beijinho de coco com canela, tortinha de maçã; cada uma a R$ 7) e para as embalagens.

— É tudo artesanal. O avental foi a mãe da Carol que fez, as embalagens são filtros de café, a tenda foi o marceneiro do escritório que ajudou a construir, a goma é comprada na feira do Bairro Peixoto — conta Fernanda, que carrega todo o aparato de táxi quando trabalha em algum evento.

A agenda, aliás, está movimentada até o ano que vem. Hoje, elas participam do Mimpi Film Festival, no Joá; no dia 30, estarão no Cluster, em Botafogo; e, a partir de dezembro, marcam presença nos ensaios do bloco Spanta Neném, na Lagoa.

Tanto Tapí quanto Tipi’oka são nomes com influência indígena.

— Muita gente acha que a tapioca é fruto da cultura nordestina, mas a sua origem é indígena. Além de ser um nome carinhoso para abreviar tapioca, Tapí quer dizer tribo de pessoas magras — conta Marianna.

Em tupi-guarani, tipi é “espremida’’ e oca significa ‘‘casa’’.

— Digo que é a nossa minicasinha — define Fernanda.



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